Histórico

História do Patrocínio Tênis Clube
Por Eustáquio Amaral

O que podemos testemunhar lhe apresentamos, a seguir. Para tanto, recorremos à coluna De Volta ao Passado (grande sucesso da Revista Presença), de nossa autoria, edições de março de 1994 e de agosto de 1997. Portanto, fazemos mais uma viagem pelo tempo. E as complementamos/atualizamos com outras informações.

* O HISTÓRICO ANO DE 1952 – No segundo semestre, o governador Juscelino Kubitschek visita Patrocínio pela segunda vez (a primeira aconteceu em 1950, na campanha eleitoral para governador). Depois de ser recebido com todas as honrarias pelos patrocinenses e ter cumprido sua segunda agenda oficial na cidade, JK vai à Escola Normal N. S. do Patrocínio, onde é servido um revigorante lanche.
Além da comitiva governamental, está presente a liderança política patrocinense, destacando-se o prefeito Amir Amaral, vice-prefeito José Francisco Queiroz, João Alves do Nascimento, Abdias Alves Nunes, Tenente Manoel Amorim, Jovino Silva, Gildo Guarda, enfim, todo o comando do lendário PSD. Entre os recepcionistas do lanche se encontra o grande desportista Nonato Matias Júnior, o popular “Natinho”. Em determinado momento, ele aproxima-se do governador e diz:
– Dr. Juscelino, o senhor poderia arrumar uma verba para Patrocínio construir a sua Praça de Esportes?
– Atualmente o Estado passa por dificuldades. Mas, no futuro atenderei o seu pedido – respondeu JK.
Natinho sempre foi persistente. Não desiste. E insiste:
– Dá um jeitinho, governador… Ela será muito útil para os jovens…
Nesse instante, o maior político brasileiro olha para um quintal, situado no fundo da Escola, que possui uma jabuticabeira carregada com negras frutinhas. Como bom negociador, responde:
– Nonato, eu atenderei de imediato, reprogramando verbas, desde que você traga para mim, agora, uma lata de jabuticabas de lá (apontando o dedo).
O obstinado Natinho retorna poucos minutos após, com a desejada lata repleta das melhores frutas. JK recebe, passa para um assessor, e agradece:
– Muito obrigado. Vou levá-la para a Sara (sua esposa), pois ela gosta muito de jabuticabas.
Um mês depois, a obra da Praça de Esportes é iniciada na Rua São João (não havia ainda a Av. José Maria de Alkmim). Em pouco tempo, o Governo do Estado inaugura a obra tão reivindicada. Assim, o glorioso Patrocínio Tênis Clube (PTC) surge por uma lata de jabuticabas, com o nome de Praça de Esportes.

* 1953: A INAUGURAÇÃO – Pela referência, a Praça de Esportes é entregue à população para uso totalmente gratuito (natação, basquete, vôlei e futebol de salão) nos primeiros meses de 1953. Pela Administração Amir Amaral.

foto antiga ptc

* 1958: A AVENIDA – Numa manhã de muito sol, em solenidade em frente à Praça de Esportes (hoje PTC), é inaugurada a Avenida Ministro José Maria Alkmim, pelo próprio homenageado. Participam do inesquecível evento, o vice-prefeito Amir Amaral (na verdade, o gestor municipal, devido a acordo político), o prefeito Mário Alves do Nascimento, o Ginásio Dom Lustosa, sob o comando de uma dezena de padres holandeses, a Escola Normal N. S. do Patrocínio, o Colégio Professor Olímpio dos Santos (dirigido pelo vereador do século XX, Abdias Alves Nunes) e um público estimado em 3.000 pessoas (este escriba amador era um dos meninos do Dom Lustosa). Na oportunidade, Alkmim visita também o PTC. Ele que foi ministro da Fazenda (Governo JK), deputado por sete mandatos, majoritário em Patrocínio, vice-presidente da República e até presidente da República (por três horas apenas!). Isso no primeiro governo militar (1964-1965).

1968 ptc

* POR FIM (I) – A história da jabuticada x PTC foi nos narrada pelo saudoso Júlio Barros (pai do advogado Julinho Barros), que presenciou o excepcional fato (outrossim guardamos o relato manuscrito, nos dado pelo próprio Júlio Barros). Também foi nos contada pelo autor da façanha, Natinho (Nonato Matias Junior), nos anos 80, época dos frequentes encontros de Sebastião Elói, Natinho, Antônio Caldeira e este privilegiado escritor amador no Foto Universo (Rua Gov. Valadares, onde é hoje a Farmácia Nacional). Que foi uma fortaleza do bom humor político da cidade. Que saudade!

* POR FIM (II) – Segundo o acadêmico Milton Magalhães, a árvore da jabuticabeira ainda encontra-se na Rua Cesário Alvim, residência da mãe de Tânia Elói (o seu pai foi o inesquecível escrivão Hélio Elói). Deveria ser tombada, por lei. Como também na entrada do PTC, deveria ser plantada uma. Preferencialmente, filha da jabuticabeira do JK. Incrível. Fantástico. Extraordinário. É este envolvimento de JK, Alkmim, Amir Amaral, Abdias Alves, Natinho, Jabuticabas e o PTC. Vale a pena não esquecê-lo.
* Primeira Coluna publicada na Gazeta, edição de 11/8/12.

(eaamaral@hotmail.com)

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*